GALILÉIA: O BERÇO DO CRISTIANISMO

“Pode vir algo bom de #Nazaré?”
perguntou Natanael, escolhido por #Jesus como apóstolo, em um trecho do Novo #Testamento, referindo-se à cidade da Galiléia, onde Cristo nasceu. Essa emblemática passagem bíblica mostra a má reputação da antiga província do norte da Palestina, de onde também eram todos os discípulos de Jesus, com exceção de Judas Iscariotes.
perguntou Natanael, escolhido por #Jesus como apóstolo, em um trecho do Novo #Testamento, referindo-se à cidade da Galiléia, onde Cristo nasceu. Essa emblemática passagem bíblica mostra a má reputação da antiga província do norte da Palestina, de onde também eram todos os discípulos de Jesus, com exceção de Judas Iscariotes.
Esta atitude tinha muito a ver com o preconceito dos judeus do sul da Palestina contra a província onde a mistura de judeus e gentios havia dado origem ao nome Galileia: literalmente, “o círculo”, com a conotação de “o círculo dos pagãos”..

JUDÉIA, SAMARIA E GALILÉIA
Etimologia da palavra Galileia
Do Latim GALILEA, do Grego GALILAIA, “parte norte da Palestina”, do Hebraico HAGGALIL, “o distrito”, um encurtamento de GALIL HAGGOYIM, “distrito das nações”; “nações” aqui se refere a “estrangeiros”.
Na época romana, o país foi dividido em Judeia, Samaria e da Galileia, que compreendia toda a seção norte do país, e foi a maior das três regiões. Herodes Antipas, filho de Herodes, o Grande, governou como tetrarca da Galileia.


lit: Glil HaGoyim), com grande parte desse nome que está sendo mantido na sua atual denominação de Galil ou Hagalil.
Durante o período dos Hasmoneus, com a revolta dos Macabeus e do declínio do Império Selêucida, a Galileia foi conquistada pela Judeia, e a região foi repovoada pelos judeus. Numa outra visão histórica, não havia movimentos populacionais particularmente em grande escala durante esse período, a Galileia aceitou juntar-se aos judeus, porque sua população decidiu reconhecer a autoridade do templo de Jerusalém ao invés do templo samaritano.
LAR DE JESUS
A região da Galileia foi, presumivelmente, o lar de Jesus durante pelo menos 30 anos de sua vida.
Nazaré era uma pequena aldeia ignorada pela literatura do Antigo Testamento e aparecendo no Novo Testamento.
As escavações têm demonstrado se tratar de uma aldeia camponesa, onde as pessoas não tinham acesso e tempo para aprender a ler e escrever. No tempo de Jesus deviam viver ali entre duzentos e quatrocentos habitantes.
Os três primeiros evangelhos do Novo Testamento são principalmente um relato do ministério público de Jesus na província, particularmente nas cidades de Nazaré e Cafarnaum.
A Galileia é também citada como o lugar onde Jesus curou um homem cego.
A maioria da Galileia consiste em terreno rochoso, a uma altura de entre 500 e 700 metros. Existem várias montanhas, incluindo o monte Tabor e o monte Meron na região, que têm temperaturas relativamente baixas e alta pluviosidade.
Como resultado deste clima, a flora e a fauna prosperam na região, enquanto muitas aves migram anualmente a partir de climas mais frios para a África e de volta pelo corredor Hula-Jordão. Os rios e cachoeiras, este último principalmente na Alta Galileia, junto com os vastos campos de flores silvestres e vegetação colorida, bem como numerosas cidades de importância bíblica, fazem da região um destino turístico.
Devido à sua elevada pluviosidade (900–1200 mm), temperaturas amenas e altas montanhas (elevação Monte Meron é 1,000-1,208 metros), a região da Galileia superior contém flora e fauna únicas: cedro-de-espanha (Juniperus oxycedrus), o cedro-do-líbano (Cedrus libani), que cresce em um pequeno bosque no monte Meron, Cyclamens, peônias (Paeoniaceae) e Rhododendron ponticum que às vezes aparece no Meron.
POVO "CAIPIRA"
Os profetas do judaísmo viam a Galiléia, considerada culturalmente retrógrada, como uma terra de maldição, e os textos rabínicos descrevem seu povo como “caipira”. Segundo escritos da época, o dialeto hebraico falado na região era tão grosseiro que os galileus não eram chamados para ler a Torá – o livro de leis do judaísmo – nas sinagogas de outras províncias. Falar o aramaico, a linguagem comum, de forma grosseira era algo que caracterizava o judeu da Galiléia.
“Em termos sociais, a região mantém desde tempos antigos a organização por meio de clãs (famílias), que se congregavam em aldeias e vilas”, explica Rodrigues da Silva. “Temos as aldeias da Alta Galiléia e da Baixa Galiléia, que, socialmente e politicamente falando, representaram a força de defesa da província frente ao controle das cidades e, certamente, na resistência ao domínio estrangeiro”, continua ele, referindo ao rígido domínio romano na região. “Falar da Galiléia a partir das aldeias implica na percepção de uma região marcada pela manutenção das antigas tradições”.
O professor explica que a transmissão oral dessas tradições era um aspecto característico da província. “A oralidade era muito forte na Galiléia, assim como a resistência da cultura do povo presente na manutenção da língua aramaica”, diz ele. As sinagogas também eram peça fundamental na organização da sociedade. “Em termos religiosos, nos deparamos não só com uma Galiléia que mantém as tradições da casa, mas que também concentra as dimensões da religião nas sinagogas. Era lá que o povo estudava a Torá, fazia suas orações diárias e reunia-se para discutir os problemas da vila”, continua Rodrigues da Silva, que destaca a importância das sinagogas também como local para a realização de assembleias gerais.
Tinham uma dieta simples: pão, azeitona e azeite, vinho. Em ocasiões especiais, cozinhavam lentilhas com legumes, pão de fibra, nozes, frutas, queijo e iogurte.
Algumas vezes comiam peixe salgado; carne vermelha era privilégio para as grandes festas.
Expectativa de vida média era de 30 anos, em poucos casos se vivia até os cinqüenta ou sessenta anos.